O “2012” da Educação Pública Estadual Gaúcha
Não consigo ser mais otimista do que comparar a situação dos trabalhadores em educação da Rede Estadual de Ensino do Rio Grande do Sul ao filme 2012, que ainda não assisti. Mas, pelo que sei, seu enredo é catastrófico.
Em exatos 10 (dez) anos de carreira como educador na rede pública estadual gaúcha, concluídos em 2008, a retrospectiva matemática e histórica que se acumulou, visivelmente, foram meus extrovertidos cabelos brancos e minha condição socioeconômica degradante.
Não pensara que o ano de 1998, quando comecei a lecionar, marcaria o ponto inicial em meu gráfico histórico do declínio da linha que deveria descrever uma trajetória, no mínimo, sem grandes variações. Mas, como ser humano que sou, falho, limitado, mediano, não fiquei de todo triste visto que constatei que a maioria dos meus colegas vivera situação semelhante.
Ao final de 2008 estava convencido que lecionar na rede pública estadual não me daria um futuro social melhor. Pelo contrário, comparando minha receita com os crescentes gastos de um orçamento doméstico cada vez mais restrito à alimentação e habitação era patente a necessidade por um emprego complementar, se optasse por continuar educador.
Aos que me conheciam pela intimidade e aos familiares cantava ao quatro cantos que encerraria minha carreira como educador da rede pública estadual. Decisão esta a que cheguei pela conclusão de que “nunca antes na história deste Estado” se deparara com um governo tão intransigente, avesso ao diálogo e decidido a implementar mudanças que em nada melhoram a condição social do funcionalismo.
É obvio que minha decisão não tivera apenas fundo econômico e fora resultado da mais variada conjugação de elementos das mais diferentes ordens. Entretanto, o ponto em comum, as intersecções, passavam pelo campo profissional. E todas elas pelo que deveria ser ações, mas eram e, ainda são, omissões de Governo.
Assim sendo não posso deixar de reverenciar todos os trabalhadores em educação que, diferentemente de mim, não se deixaram ou deixam derrotar pelas políticas educacionais conduzidas por governos que distanciam seu discurso de sua prática.
A estes educadores o otimismo superou a escala das definições com as quais corriqueiramente convivemos.
O fato é que a Educação Pública não vai bem. E a do Estado vai bem mal. O melancólico e patético da vida social e profissional dos educadores terá efeitos ainda maiores entre as gerações futuras de cidadãos formados por escolas públicas.
Em perspectiva, vê-se que chegamos a algum lugar e não é nada bom. Mas também sou um otimista quanto à Educação Pública Estadual do Rio Grande do Sul! É, eu sei que já citei o grande poeta mineiro em outra ocasião, mas as políticas de governo no estado também são simulacro e o poeta anda com ares de pós-moderno, pois se foi há muito tempo nos deixando a triste constatação - “este é tempo de partido, tempo de homens partidos”.
Paulo César Machado
Professor de História.
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