Todo o
início de ano letivo, nós, professores e professoras, nos apanhamos em devaneios
e reflexões quanto à situação da educação pública no País. Essa é uma
problemática que nos aflige, e ocupa parte considerável dos nossos esforços em
tentar identificar, cercar e combater o problema.
Não nos
entregamos com facilidade às explicações simplistas e reducionistas. Por menos
dedicado que seja um professor, ele está obrigado, por força da profissão, a
dedicar um tempo considerável a uma agenda comum de estudos e pesquisas. Isso
sem considerar o tempo que precisa dedicar à pesquisa do componente curricular
com o qual trabalha.
Se
olharmos em retrospectiva para o ano letivo de 2018, veremos que todos os
professores do País tiveram que realizar o mínimo de trinta horas de formação,
e precisaram estudar a Base Nacional Comum Curricular e a legislação que ampara
essa BNCC. E isso não é história da carochinha, isso é um dado, dado.
Ocorre que
muito provavelmente, atingimos o estágio em que precisamos parar de olhar a
Educação em outros países. Precisamos de uma roupa feita para o próprio corpo,
sem remendos ou costuras alinhavadas. E isso não deve ser encarado como uma
aberração, pois é inquestionável que todo o conhecimento disponível, necessário
à compreensão dos processos de desenvolvimento e aprendizagem, necessário ao
domínio das metodologias e instrumentos de diagnóstico, necessário às práticas
de intervenção e condução da ensinagem se universalizaram, e são basicamente os
mesmos em toda parte.
Mas se o
que foi exposto acima é um dado inquestionável, por que nossa educação pública
apresenta indicadores tão defasados? Eu diria que são muitas as variáveis, e ao
invés de propor um debate, proponho sete ações governamentais para uma educação
pública de sucesso: 1- Cumprir o que determina o Plano Nacional de Educação; 2-
Estabelecer um Sistema Nacional de Formação Continuada, organizado e dirigido
pelas Universidades do País, respeitando a autonomia e as especificidades
regionais; 3- Proporcionar e garantir a todas as escolas públicas do País uma
qualificada infraestrutura física, tecnológica, didática, pedagógica, alimentar
e humana; 4- Estabelecer uma Política Nacional de Valorização das Titulações Docentes;
5- Estabelecer um Programa de Intercâmbio internacional de estudantes e
professores de escola pública; 6- Garantir financiamento aos Estados e
Municípios para o cumprimento das ações governamentais; e, por último, e não
menos importante: 7- Tornar a Educação Pública a Bandeira Nacional para o Desenvolvimento
Econômico, Social, Político e Humano do Brasil.
Concluindo,
cabe destacar que não é mais possível aceitar o discurso que transfere a
responsabilidade - dos baixos indicadores e resultados - para docentes e
demais profissionais que vivem a rotina escolar. A não ser que a estratégia
seja a de não dar soluções ao problema; A não ser que a tática seja contemporizar e confundir. Pois que a Educação é um discurso vago no Brasil, é inquestionável que há muito
deixou de ser novidade.
PAULO
CÉSAR MACHADO, professor de história, Supervisor Escolar na Rede Municipal de
Gravataí e acadêmico de Psicopedagogia.