segunda-feira, 16 de maio de 2011

A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

A violência no ambiente escolar é um problema muito mais sério do que nossa desavisada compreensão pode supor, ou mesmo aferir. Ela ultrapassa os eventos noticiados nos meios de comunicação, ou mesmo as opiniões com as quais nos deparamos - ou formulamos - sem qualquer paradigma minimamente coerente.
Sem a intenção de formular uma pomposa frase de efeito me atreveria a dizer que “a violência nas escolas é um fenômeno sem precedentes”. Como de resto a agressividade no século XX inaugurou esse aterrorizante fenômeno marcado pela globalização dos padrões de individualismo e indiferença e pela uniformização das reações humanas insensatas. E tudo por ocasião de uma cultura ocidentalizada do hedonismo.
Claro que os adeptos da concepção de agressividade inata à natureza humana dirão que a violência é tão antiga quanto a nossa espécie. Mas se é possível constatar uma história da violência, da mesma forma não é possível – como de resto o é em nossa época – escrever e vivenciar a história humana a partir da universalização da aceitação de uma agressividade vingativa, espontânea, naturalizada, cruel, criativa, satírica, estetizada, ecumênica.
Assim nos deparamos com uma problemática cujos efeitos não apenas forçam os muros das escolas, mas marcam definitivamente as relações humanas também no universo escolar. E o que de fato parece mais aterrorizante: se inscreve no comportamento alheio ao ideário, às instituições e à legislação de garantia do direito à inalienável integridade humana. E justamente nas gerações herdeiras de nossa concepção de um adorável mundo novo.
Não me atreveria a dizer, no momento, que a solução seja melhor do que o debate primário sobre o que fazer. Na qualidade de educador me sinto muito mais frustrado com as soluções imediatistas e esporádicas do que com as discussões insensatas ou emotivas que travamos no cotidiano.
De qualquer forma, quero acreditar em uma universalização do consenso de que precisamos fazer algo, ainda que seja abrir as discussões sobre essa temível realidade. É óbvio que a pressa exige mais em alternativa e eficácia. Mas, no olho do furacão, não é possível dizer se as soluções são menos complexas ou um tanto simples. Só é possível dizer que o conhecimento e a humanidade se perdem em um cenário de instabilidade, democratização da violência e insegurança. Como se diz, “melhor mesmo é não pagar pra ver”!

Paulo César Machado Professor de História e
Pós-Graduando em Supervisão Educacional.