São completamente estarrecedores – muito mais do que preocupantes – os dados apresentados em pesquisa divulgada em 21 de julho de 2009, que projetam para o período entre 2006 e 2012, a morte de pelo menos 33 (trinta e três) mil jovens entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos.
Para toda e qualquer pessoa que seja pai ou mãe de adolescente, ou exerça profissão diretamente vinculada a essa faixa etária, é difícil não deparar com esse único dado martelando e projetando equações matemáticas, inferências sociológicas, econômicas, históricas e emocionais.
Sabemos que a matemática dos homicídios não é geograficamente equânime; mas, ainda assim, se dividirmos os 33 (trinta e três) mil mortos potenciais pelas 27 (vinte e sete) unidades político-administrativas teremos mais de 1.200 (mil e duzentos) jovens mortos por Estado, incluído o Distrito Federal.
O estarrecedor está em que é muito provável que essa vida – no momento nada mais que uma estatística ou abstração para a maioria de nós – que se perderá ou esteja perdida ou se perdendo neste exato momento (por si só um fato trágico!) seja ou venha a ser de algum adolescente nosso familiar, ou próximo, ou mesmo que se conheça ainda que só de vista ou por menção.
Não bastasse esse aspecto perturbador acima referido, é difícil não pensar também em todo esse potencial humano desperdiçado em prejuízo da vida em sociedade. Quanta capacidade produtiva, inventiva, de renovação, de atitude estará se perdendo! Quantas vidas suspensas definitivamente nos mais diferentes processos históricos, econômicos, sociológicos, interpessoais!
Eu sei! Sim, eu sei! Este não é momento para conjecturas ou ilações; antes, para imediatismos. Temos definitivamente que fazer algo a respeito e fazer agora, a partir de já. Temos de compartilhar esta responsabilidade social de zelar pelos nossos filhos, irmãos, amigos, netos, vizinhos adolescentes.
A agenda está colocada e não admite subtração: o poder público deve fazer sua parte. A imprensa deve fazer sua parte. Todas as esferas formadoras de opinião devem fazer sua parte. A família deve fazer sua parte. E os jovens! Os jovens devem também tomar parte nesta tarefa ecumênica de preservar a vida e garantir-lhes uma existência digna, solidária, responsável e comprometida com um sentido terminantemente avesso à violência. Terminantemente avesso a toda e qualquer violência.
Paulo César Machado
* PROFESSOR DE HISTÓRIA E PAI
Panorama Pós-moderno tem por objetivo apresentar artigos que tenham sido publicados por este autor em jornais ou que simplesmente sejam a expressão do desconforto causado por opiniões com estatuto de produção científica no campo da teoria social, da educação, da sociologia, da história, da economia.Visa também publicizar produção acadêmica resultante de pesquisa orientada em cursos já realizados ou em andamento.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
As culturas jovens como recurso nos projetos escolares
Paulo César Pereira Machado
(...) a cultura é conveniente enquanto recurso para se atingir um fim. A cultura enquanto recurso é o componente principal do que poderia definir-se como uma episteme pós-moderna.
Yúdice
Este artigo tem por objetivo pensar a utilização das culturas jovens como recurso nos projetos escolares. Dito de outra forma, pensar a viabilidade do projeto escolar utilizando as culturas jovens como recurso pedagógico, social, político, econômico e cultural.
A idéia surgiu a partir da leitura da obra do professor Yúdice_ A conveniência da cultura_ e de um seminário coordenado pela professora Marisa Vorraber Costa no primeiro semestre de 2007 na Ufrgs, do qual participei como aluno PEC. Este artigo, na verdade, se constituiu no trabalho final daquele seminário e pelo qual foi avaliada minha participação.
Penso que seja preciso enunciar o que se entende aqui pela viabilidade de um projeto escolar que utilize as culturas jovens (ou as manifestações culturais das diferentes tribos) como um recurso pedagógico, social, político, econômico e cultural.Este último podendo até parecer uma redundância ou uma cacofonia teórica.
Quero, entretanto, apresentar primeiro os motivos que levaram a pensar esta proposta. Após, procurarei dar clareza às concepções de recurso e, então, apresentarei as reflexões e conclusões às quais, acredito, possam ter relevância tanto para os projetos político-pedagógicos das escolas quanto às conquistas de um modelo atuante de cidadania por parte dos jovens de escola pública, principalmente da periferia, em situação de abandono estatal.
A proposta de incluir as culturas jovens nos projetos escolares transdisciplinares ou interdisciplinares surgiu de uma necessidade real: promover, ainda que por caminhos não reconhecidos pela pedagogia tradicional, uma mudança no diálogo professor-aluno, na integração entre os segmentos da comunidade escolar, nas relações pessoais entre os educandos e entre estes e os trabalhadores em educação, no reconhecimento e no exercício do respeito à alteridade, na valorização do espaço escolar, na possibilidade de cruzamento, em sala de aula e fora dela, da cultura escolar _ representada pelos conteúdos trabalhados pelas disciplinas _ com as culturas jovens das diferentes tribos.
Acredito sinceramente que projetos que utilizem a cultura como recurso ao mesmo tempo em que incentivam, descobrem e valorizam as diferentes manifestações culturais de educandos em uma determinada escola_ tribos de funkeiros, pagodeiros, tatuadores, roqueiros, skaitistas, grafiteiros etc_ podem perfeitamente ser mais uma estratégia (entre outras estratégias!) utilizadas no encaminhamento das mudanças que, ao que parece, seriam fundamentais no contexto escolar da pós-modernidade.
Obviamente não se parte do pressuposto de que os educandos se organizam e se fecham em tribos culturais. Parte-se da observação de que é possível visualizar identificações culturais entre os jovens em idade escolar e que essas identificações constroem afinidades e identidades coletivas, ainda que móveis. Pois é com base nessa noção que se busca a cultura jovem como recurso nos projetos escolares.
É senso comum entre a maioria dos educadores que as novas gerações de educandos não se relacionam com a escola da mesma forma que suas gerações. Mesmo estando à mercê de uma distorção da memória é possível até afirmar que se era mais ordeiro, mais disciplinado, mais centrado ou, pelo menos, cultural e tecnologicamente menos inquieto.
Passando ao largo de todas as discussões possíveis referentes à afirmação acima mencionada, mesmo correndo o risco de passar por educador autoritário, disciplinador, amestrador, que desconhece mesmo que superficialmente as teorias pós-estruturalistas sobre educação, ainda assim tomarei este caminho neste artigo: de alguém que percebe, assim como outros educadores, que o espaço escolar parece ter perdido o significado, ou, pelo menos, o significado que nós, modernos, o atribuímos.
É com base nesta percepção e no interesse em tornar a escola pública um espaço diferente daquele em que tradicionalmente se apresenta_ um lugar da obrigação, do ter que aprender, das aulas chatas, do nada interessante ou do ter que estudar “pra passar de ano” ou, ainda, do lugar de “quando é que eu vou usar isso?”, entre tantas queixas corriqueiras_ que a utilização das culturas jovens como recurso nos projetos escolares podem afigurar-se como mais uma estratégia para quem busca fazer da escola um espaço criativo e sedutor para o aprendizado, a reflexão, o convívio, o reconhecimento e o respeito à alteridade.
Antes que se prossiga é preciso deixar claro que não considero este recurso a formula mágica para todos os problemas ligados à educação pública. Não visa responder ou substituir as atribuições de competência do poder público. Ao mesmo tempo considero-o um recurso capaz de inserir professor e aluno, escola e comunidade escolar, em um diálogo construtivo que parta da valorização da linguagem cultural de seus educandos, que passe a considerar e a reconhecer que essa linguagem cultural tem um significado e uma importância no sistema de representações destes jovens e que esta, por sua vez, pode ser um instrumento de afirmação da cidadania e de construção de uma atuação coletiva.
Isso não significa que o educador tenha que se apresentar como o professor que “manja” esta ou aquela tribo. Da mesma forma não deve pensar este recurso como um meio para ser “poupado” pelas turmas. Nem a escola, um meio para apaziguar as rebeldias. A utilização das manifestações culturais juvenis como recurso nos projetos escolares é uma forma de abandonar o diálogo unilateral e adotar o diálogo da multipolaridade cultural: sem abandonar o papel atribuído ao educador por sua própria formação significa incorporar a cultura jovem ao processo de ensino-aprendizagem como um recurso pedagógico, mas também social, político, econômico e cultural.
Por linguagem cultural designo aqui todas as manifestações artísticas ou identidades culturais que reúnem grupos de jovens que se identificam também a partir de uma determinada posição cultural: seja enquanto roqueiro, pagodeiro, grafiteiro, ou outra posição qualquer que, estimulada ou não pela grande indústria do mercado cultural, produza uma afinidade nas identidades que se relacionam e se amparam, se diferenciam e se reconhecem.
É exatamente essa linguagem cultural em toda sua multiplicidade e riqueza que, ao meu ver, se apresenta à escola pública como recurso.
Já faz algum tempo que a idéia de se trabalhar com projetos interdisciplinares ou transdisciplinares se popularizou pelas escolas públicas. Esta tendência é geralmente defendida como forma de integrar as diferentes disciplinas sob temas comuns. Raras vezes, entretanto, estes temas são escolhidos respeitando-se a vontade_ ou se preferirem os conservadores, os caprichos(!)_ dos educandos. No máximo escolhe-se alguns temas ou que sejam de interesse dos educadores ou de seu conhecimento em reuniões de disputa de opinião que, obviamente, vence a menos trabalhosa para os professores que forem maioria e, logo após, são impositivamente “sugeridas” às turmas.
Claro que nossa tendência, filhos da modernidade, é optar cautelosamente por caminhos que consideremos seguros. Mas a segurança torna-se artificial à medida que percebemos que estes, ditos projetos, reprisam as mesmas falhas que a sua adoção visava corrigir. Obviamente, não parto do pressuposto de que todos os projetos escolares são construídos verticalmente. Da mesma forma não considero que todos os temas não ligados à cultura estejam fadados ao fracasso. Particularmente considero que a forma de construção do projeto escolar com a participação de todos os segmentos de sua comunidade é o fator determinante. Afora esta convicção, não acredito, sinceramente, em fatores de previsibilidade. Prefiro contar-me entre aqueles que depositam uma disposição empírica nos projetos escolares de qualquer ordem.
Diante disso, como o mundo se apresenta em acelerada mutação, as informações se renovam pela obsolescência, os inimigos da humanidade disciplinada se alternam e os fenômenos sociais e naturais nos impõem constantemente novos desafios, parece ao educador, na maioria das vezes, que o mundo exterior a sua escola_ ainda que seus reflexos a atinjam_ oferece mais recursos aos projetos que aquele de seu próprio ecúmeno escolar.
Minha convicção não testada é a de que devemos também dialogar com o mundo cultural de nossos educandos através dos projetos e, a partir desse intertexto, confrontar suas expectativas com nossas interpretações do mundo e com o chamado conhecimento formal.
Neste sentido as manifestações culturais juvenis seriam um recurso pedagógico. Um recurso, acredito, com uma variedade de possibilidades: que pudesse partir de um lugar que fizesse sentido e que tornasse o educando sujeito da ação; que não fosse mero instrumento da pedagogia do prazer, mas um lugar de gradativo exercício de reflexão. Um lugar da manifestação cultural e da reflexão cultural.
Se as manifestações culturais podem ser visivelmente perceptíveis enquanto recurso pedagógico em âmbito escolar_ e apesar de desconhecer, acredito, seu uso deva ser algo razoavelmente colocado em prática já há algum tempo_ também podem, da mesma forma, ser perceptíveis enquanto recurso social, econômico, político e cultural. E quanto a isso a obra do professor Yúdice é por demais esclarecedora, ainda que sua posição seja cautelosa:
Para alguns, os relativamente “sem poder” podem extrair força de sua cultura para enfrentar a investida violenta dos poderosos. Para outros, o conteúdo da cultura em si é quase irrelevante; o que importa é que ela escora uma política de mudança. Ao mesmo tempo que essas perspectivas podem ser bastante atraentes, é também verdade que a expressão cultural em si não é suficiente. Nesses debates, é bom munir-se de sólido conhecimento acerca das complexas maquinações envolvidas no exame de uma agenda vista através de uma gama de instâncias intermediárias, situadas em diversos níveis, povoadas de outras agendas similares, que se sobrepõem ou se diferenciam. Os outros pesquisadores dos estudos culturais muitas vezes enxergam a agenda cultural de forma mais circunscrita, como se a expressão ou a identidade individual ou grupal em si levasse à mudança. Mas, como Iris Marion Young aponta: “Nós nos encontramos situados em relações de classe, gênero, raça, nacionalidade, religião e assim por diante, [dentro de uma ‘dada história de significados sedimentados e uma paisagem material, interagindo com outros no campo social’] que são fontes tanto de possibilidades de ação como de coação” (2000: 100). (p.15)
Quando pensamos a construção de um projeto escolar interdisciplinar ou transdisciplinar, que leve em consideração aquilo que faz sentido para o aluno ou que tenha relação com sua realidade, que seja amplamente debatido e possa ser chamado de democrático, obviamente, buscamos a participação de todos os segmentos de uma comunidade escolar. Não apenas professores e direção ou um grupo de professores e alunos participam desta construção; participam alunos, professores, funcionários, pais e direção escolar em seu maior número possível. Pois é com base nessa participação que a cultura jovem pode se afigurar também como recurso social, político, econômico e cultural.
Como recurso social e político pode-se pensá-la como fator de integração e de exercício do respeito à alteridade. E isso em toda uma comunidade escolar. A escola pode perfeitamente tornar-se o centro mobilizador das culturas jovens para a troca de reconhecimentos e impressões de todos os seus segmentos. E isto não significa, mais uma vez, que seja preciso abandonar o papel pelo qual a escola se constitui. Ainda que muitas sejam as representações desse papel da escola parece-me no mínimo aceitável que a pós-modernidade impõe também suas exigências confrontando nossas seguras visões de mundo.
Entre os benefícios dessa postura escolar, diante dessa linguagem cultural juvenil, me parece que a sedimentação da auto-estima do aluno é fator por demais relevante na medida que se faça acompanhar por um ethos de troca cultural.
Há uma possibilidade visível de se mobilizar muito mais do que o trânsito do espaço escolar. Também o trânsito entre escolas e entre bairros. A cultura juvenil como recurso social e político nos projetos escolares é também uma contribuição para o reconhecimento, a reflexão e o engajamento na defesa da cidadania cultural entre os jovens de escola pública. Entre esses, principalmente, a cidadania cultural pode tornar-se o caminho pelo qual se pense a construção de uma inserção social vinculada a uma maior igualdade de oportunidades, já que a igualdade de condições seria, no momento histórico de retração do papel social do estado, uma demanda estratégica sem possibilidade de eco. De qualquer forma, esse recurso social seria o lugar da possibilidade de mudança e de atuação para além do espaço escolar.
É possível pensar que a cultura jovem como recurso seja de alguma forma capaz de conduzir um diálogo com a alta cultura. Parece-me que seja capaz também de inserir o educando em um diálogo com o mundo da escola e, através dela, com os problemas que o mundo pós-moderno nos apresenta. Da mesma forma não me parece impossível que esta mesma cultura, muitas vezes estranha aos nossos olhos, possa ser um recurso social e político fomentado e disponibilizado pela escola em beneficio de uma agencia juvenil. A cultura jovem como recurso não é um recurso da escola ou para a escola e o professor, mas um recurso para a coletividade de educandos e que vá além do espaço escolar. É um outro meio pelo qual a escola também cumpre o seu papel.
Da mesma forma é possível pensar esse recurso como um recurso econômico se extrapolarmos a relação entre o mundo da escola e o mundo do trabalho. Em todos os sentidos a escola pode ser encarada como o lugar por excelência da disciplina e do amestramento para o “mundo-fábrica” moderno. Quem melhor que a escola e o educador para treinar o essencial no modelo de ferramenta humana que a modernidade tardia exige. Não é tão fácil livrar-se da noção de que enquanto poucas escolas produzem gerentes muitas escolas produzem o resto.
Esta seria então uma oportunidade para a escola incentivar o desenvolvimento de uma economia cultural local em que o jovem percebesse a oportunidade de transformar suas manifestações artísticas em algum tipo de renda. E quanto a isso exemplos não são escassos. Nesse sentido o papel da escola estaria em contribuir com noções de gerenciamento cultural pelo próprio jovem e para sua comunidade. Parece-me que muitas poderiam ser as possibilidades do que se entende por converter cultura popular em renda. Ainda que essa idéia possa parecer um “mundo- da- fantasia” e sua aplicabilidade exija a participação de outras instâncias de poder político na sociedade civil, ainda assim exemplos dessa natureza nos colocam a alternativa de uma economia comunitária cultural.
Neste ponto, dado o que já foi exposto, me parece apropriado dar entendimento ao que considero a cultura jovem como recurso cultural, ao mesmo tempo em que concluo com minhas considerações finais.
A cultura jovem como recurso cultural nos projetos escolares parte do principio relativamente generalizado de que não apenas a alta cultura tem direito ao status cultural. Essa idéia tem ganhado força à medida que a cultura popular ou a cultura midiática_ que se entrecruzam (a ponto de poderem se tornar a mesma coisa?)_ tornam-se responsáveis por uma parcela significativa da concentração de riqueza pelo capitalismo cultural.
Não se trata aqui de valorizar uma cultura em detrimento da outra, mas de negociar com ambas e não escamotear a qualidade de recurso econômico da assim chamada alta cultura. Simplificadamente pode-se concluir que conhecimento é poder e poder gera riqueza na economia da informação. A alta cultura se apresenta como informação na economia capitalista do conhecimento. A cultura popular, por sua vez, pode ser definida como o lado mais fraco da relação que Yúdice definiu como divisão internacional do trabalho cultural. E ainda gera riqueza para as minorias e os conglomerados da indústria do entretenimento.
A cultura jovem como recurso cultural nos projetos escolares teria essa dupla finalidade: o reconhecimento de sua importância enquanto cultura para uma parcela significativa da sociedade ao mesmo tempo em que a constatação de que toda cultura torna-se recurso econômico para alguém pode relativizar seu caráter “civilizatório” na medida em que diminui a diferença de contribuição, nesse processo, entre a alta e a baixa cultura.
Quero concluir reafirmando que me parece aceitável a viabilidade de um projeto escolar que utilize as culturas jovens como recurso. Esse recurso poderia significar percorrer um caminho que partisse do mundo cultural do aluno para o mundo social do adulto. Da mesma forma é o reconhecimento de que a escola moderna precisa, também, fazer o caminho inverso: se por toda a idade moderna o aluno foi à escola, que agora, na pós-modernidade, à escola vá ao aluno.
Essa postura pode significar refletir tanto sobre qual é o papel performativo da escola, quanto sobre qual é o papel ideológico do educador.
Ainda que não seja isso, que se possa então, com a cultura jovem como recurso nos projetos escolares, colocar o educador no lugar da reflexão e do reconhecimento de sua condição, pois:
“(...) professoras estão preparadas para educar a infância inventada no século XIX – ingênua, dependente dos adultos, imatura e necessitada de proteção – enquanto suas salas de aula estão repletas de crianças do século XXI – cada vez mais independentes, desconcertantes, erotizadas, acostumadas com a instabilidade, à incerteza e a insegurança” (Vorraber, pág.96).
Penso que não precisaríamos de muito para perceber que o mundo mudou e tem mudado e, na maioria das vezes, de alguma forma difícil de descrever. De qualquer forma, aceitando ou não estas mudanças, o fato é que precisamos encontrar, enquanto educadores e educadoras, novas formas de dialogar com a juventude do século XXI.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COSTA. M. V. 2006. Quem são? Que querem? Que fazer com eles? Eis que chegam às nossas escolas as crianças e jovens do século XXI. São Paulo: J M Editora Ltda.
LEMERT, Charles. 1997. Pós-modernismo não é o que você pensa. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
YÚDICE, George. A conveniência da cultura: usos da cultura na era global / George Yúdice; tradução de Marie-Anne Kremer. – Belo Horizonte: Editora UFMG; 2004.
(...) a cultura é conveniente enquanto recurso para se atingir um fim. A cultura enquanto recurso é o componente principal do que poderia definir-se como uma episteme pós-moderna.
Yúdice
Este artigo tem por objetivo pensar a utilização das culturas jovens como recurso nos projetos escolares. Dito de outra forma, pensar a viabilidade do projeto escolar utilizando as culturas jovens como recurso pedagógico, social, político, econômico e cultural.
A idéia surgiu a partir da leitura da obra do professor Yúdice_ A conveniência da cultura_ e de um seminário coordenado pela professora Marisa Vorraber Costa no primeiro semestre de 2007 na Ufrgs, do qual participei como aluno PEC. Este artigo, na verdade, se constituiu no trabalho final daquele seminário e pelo qual foi avaliada minha participação.
Penso que seja preciso enunciar o que se entende aqui pela viabilidade de um projeto escolar que utilize as culturas jovens (ou as manifestações culturais das diferentes tribos) como um recurso pedagógico, social, político, econômico e cultural.Este último podendo até parecer uma redundância ou uma cacofonia teórica.
Quero, entretanto, apresentar primeiro os motivos que levaram a pensar esta proposta. Após, procurarei dar clareza às concepções de recurso e, então, apresentarei as reflexões e conclusões às quais, acredito, possam ter relevância tanto para os projetos político-pedagógicos das escolas quanto às conquistas de um modelo atuante de cidadania por parte dos jovens de escola pública, principalmente da periferia, em situação de abandono estatal.
A proposta de incluir as culturas jovens nos projetos escolares transdisciplinares ou interdisciplinares surgiu de uma necessidade real: promover, ainda que por caminhos não reconhecidos pela pedagogia tradicional, uma mudança no diálogo professor-aluno, na integração entre os segmentos da comunidade escolar, nas relações pessoais entre os educandos e entre estes e os trabalhadores em educação, no reconhecimento e no exercício do respeito à alteridade, na valorização do espaço escolar, na possibilidade de cruzamento, em sala de aula e fora dela, da cultura escolar _ representada pelos conteúdos trabalhados pelas disciplinas _ com as culturas jovens das diferentes tribos.
Acredito sinceramente que projetos que utilizem a cultura como recurso ao mesmo tempo em que incentivam, descobrem e valorizam as diferentes manifestações culturais de educandos em uma determinada escola_ tribos de funkeiros, pagodeiros, tatuadores, roqueiros, skaitistas, grafiteiros etc_ podem perfeitamente ser mais uma estratégia (entre outras estratégias!) utilizadas no encaminhamento das mudanças que, ao que parece, seriam fundamentais no contexto escolar da pós-modernidade.
Obviamente não se parte do pressuposto de que os educandos se organizam e se fecham em tribos culturais. Parte-se da observação de que é possível visualizar identificações culturais entre os jovens em idade escolar e que essas identificações constroem afinidades e identidades coletivas, ainda que móveis. Pois é com base nessa noção que se busca a cultura jovem como recurso nos projetos escolares.
É senso comum entre a maioria dos educadores que as novas gerações de educandos não se relacionam com a escola da mesma forma que suas gerações. Mesmo estando à mercê de uma distorção da memória é possível até afirmar que se era mais ordeiro, mais disciplinado, mais centrado ou, pelo menos, cultural e tecnologicamente menos inquieto.
Passando ao largo de todas as discussões possíveis referentes à afirmação acima mencionada, mesmo correndo o risco de passar por educador autoritário, disciplinador, amestrador, que desconhece mesmo que superficialmente as teorias pós-estruturalistas sobre educação, ainda assim tomarei este caminho neste artigo: de alguém que percebe, assim como outros educadores, que o espaço escolar parece ter perdido o significado, ou, pelo menos, o significado que nós, modernos, o atribuímos.
É com base nesta percepção e no interesse em tornar a escola pública um espaço diferente daquele em que tradicionalmente se apresenta_ um lugar da obrigação, do ter que aprender, das aulas chatas, do nada interessante ou do ter que estudar “pra passar de ano” ou, ainda, do lugar de “quando é que eu vou usar isso?”, entre tantas queixas corriqueiras_ que a utilização das culturas jovens como recurso nos projetos escolares podem afigurar-se como mais uma estratégia para quem busca fazer da escola um espaço criativo e sedutor para o aprendizado, a reflexão, o convívio, o reconhecimento e o respeito à alteridade.
Antes que se prossiga é preciso deixar claro que não considero este recurso a formula mágica para todos os problemas ligados à educação pública. Não visa responder ou substituir as atribuições de competência do poder público. Ao mesmo tempo considero-o um recurso capaz de inserir professor e aluno, escola e comunidade escolar, em um diálogo construtivo que parta da valorização da linguagem cultural de seus educandos, que passe a considerar e a reconhecer que essa linguagem cultural tem um significado e uma importância no sistema de representações destes jovens e que esta, por sua vez, pode ser um instrumento de afirmação da cidadania e de construção de uma atuação coletiva.
Isso não significa que o educador tenha que se apresentar como o professor que “manja” esta ou aquela tribo. Da mesma forma não deve pensar este recurso como um meio para ser “poupado” pelas turmas. Nem a escola, um meio para apaziguar as rebeldias. A utilização das manifestações culturais juvenis como recurso nos projetos escolares é uma forma de abandonar o diálogo unilateral e adotar o diálogo da multipolaridade cultural: sem abandonar o papel atribuído ao educador por sua própria formação significa incorporar a cultura jovem ao processo de ensino-aprendizagem como um recurso pedagógico, mas também social, político, econômico e cultural.
Por linguagem cultural designo aqui todas as manifestações artísticas ou identidades culturais que reúnem grupos de jovens que se identificam também a partir de uma determinada posição cultural: seja enquanto roqueiro, pagodeiro, grafiteiro, ou outra posição qualquer que, estimulada ou não pela grande indústria do mercado cultural, produza uma afinidade nas identidades que se relacionam e se amparam, se diferenciam e se reconhecem.
É exatamente essa linguagem cultural em toda sua multiplicidade e riqueza que, ao meu ver, se apresenta à escola pública como recurso.
Já faz algum tempo que a idéia de se trabalhar com projetos interdisciplinares ou transdisciplinares se popularizou pelas escolas públicas. Esta tendência é geralmente defendida como forma de integrar as diferentes disciplinas sob temas comuns. Raras vezes, entretanto, estes temas são escolhidos respeitando-se a vontade_ ou se preferirem os conservadores, os caprichos(!)_ dos educandos. No máximo escolhe-se alguns temas ou que sejam de interesse dos educadores ou de seu conhecimento em reuniões de disputa de opinião que, obviamente, vence a menos trabalhosa para os professores que forem maioria e, logo após, são impositivamente “sugeridas” às turmas.
Claro que nossa tendência, filhos da modernidade, é optar cautelosamente por caminhos que consideremos seguros. Mas a segurança torna-se artificial à medida que percebemos que estes, ditos projetos, reprisam as mesmas falhas que a sua adoção visava corrigir. Obviamente, não parto do pressuposto de que todos os projetos escolares são construídos verticalmente. Da mesma forma não considero que todos os temas não ligados à cultura estejam fadados ao fracasso. Particularmente considero que a forma de construção do projeto escolar com a participação de todos os segmentos de sua comunidade é o fator determinante. Afora esta convicção, não acredito, sinceramente, em fatores de previsibilidade. Prefiro contar-me entre aqueles que depositam uma disposição empírica nos projetos escolares de qualquer ordem.
Diante disso, como o mundo se apresenta em acelerada mutação, as informações se renovam pela obsolescência, os inimigos da humanidade disciplinada se alternam e os fenômenos sociais e naturais nos impõem constantemente novos desafios, parece ao educador, na maioria das vezes, que o mundo exterior a sua escola_ ainda que seus reflexos a atinjam_ oferece mais recursos aos projetos que aquele de seu próprio ecúmeno escolar.
Minha convicção não testada é a de que devemos também dialogar com o mundo cultural de nossos educandos através dos projetos e, a partir desse intertexto, confrontar suas expectativas com nossas interpretações do mundo e com o chamado conhecimento formal.
Neste sentido as manifestações culturais juvenis seriam um recurso pedagógico. Um recurso, acredito, com uma variedade de possibilidades: que pudesse partir de um lugar que fizesse sentido e que tornasse o educando sujeito da ação; que não fosse mero instrumento da pedagogia do prazer, mas um lugar de gradativo exercício de reflexão. Um lugar da manifestação cultural e da reflexão cultural.
Se as manifestações culturais podem ser visivelmente perceptíveis enquanto recurso pedagógico em âmbito escolar_ e apesar de desconhecer, acredito, seu uso deva ser algo razoavelmente colocado em prática já há algum tempo_ também podem, da mesma forma, ser perceptíveis enquanto recurso social, econômico, político e cultural. E quanto a isso a obra do professor Yúdice é por demais esclarecedora, ainda que sua posição seja cautelosa:
Para alguns, os relativamente “sem poder” podem extrair força de sua cultura para enfrentar a investida violenta dos poderosos. Para outros, o conteúdo da cultura em si é quase irrelevante; o que importa é que ela escora uma política de mudança. Ao mesmo tempo que essas perspectivas podem ser bastante atraentes, é também verdade que a expressão cultural em si não é suficiente. Nesses debates, é bom munir-se de sólido conhecimento acerca das complexas maquinações envolvidas no exame de uma agenda vista através de uma gama de instâncias intermediárias, situadas em diversos níveis, povoadas de outras agendas similares, que se sobrepõem ou se diferenciam. Os outros pesquisadores dos estudos culturais muitas vezes enxergam a agenda cultural de forma mais circunscrita, como se a expressão ou a identidade individual ou grupal em si levasse à mudança. Mas, como Iris Marion Young aponta: “Nós nos encontramos situados em relações de classe, gênero, raça, nacionalidade, religião e assim por diante, [dentro de uma ‘dada história de significados sedimentados e uma paisagem material, interagindo com outros no campo social’] que são fontes tanto de possibilidades de ação como de coação” (2000: 100). (p.15)
Quando pensamos a construção de um projeto escolar interdisciplinar ou transdisciplinar, que leve em consideração aquilo que faz sentido para o aluno ou que tenha relação com sua realidade, que seja amplamente debatido e possa ser chamado de democrático, obviamente, buscamos a participação de todos os segmentos de uma comunidade escolar. Não apenas professores e direção ou um grupo de professores e alunos participam desta construção; participam alunos, professores, funcionários, pais e direção escolar em seu maior número possível. Pois é com base nessa participação que a cultura jovem pode se afigurar também como recurso social, político, econômico e cultural.
Como recurso social e político pode-se pensá-la como fator de integração e de exercício do respeito à alteridade. E isso em toda uma comunidade escolar. A escola pode perfeitamente tornar-se o centro mobilizador das culturas jovens para a troca de reconhecimentos e impressões de todos os seus segmentos. E isto não significa, mais uma vez, que seja preciso abandonar o papel pelo qual a escola se constitui. Ainda que muitas sejam as representações desse papel da escola parece-me no mínimo aceitável que a pós-modernidade impõe também suas exigências confrontando nossas seguras visões de mundo.
Entre os benefícios dessa postura escolar, diante dessa linguagem cultural juvenil, me parece que a sedimentação da auto-estima do aluno é fator por demais relevante na medida que se faça acompanhar por um ethos de troca cultural.
Há uma possibilidade visível de se mobilizar muito mais do que o trânsito do espaço escolar. Também o trânsito entre escolas e entre bairros. A cultura juvenil como recurso social e político nos projetos escolares é também uma contribuição para o reconhecimento, a reflexão e o engajamento na defesa da cidadania cultural entre os jovens de escola pública. Entre esses, principalmente, a cidadania cultural pode tornar-se o caminho pelo qual se pense a construção de uma inserção social vinculada a uma maior igualdade de oportunidades, já que a igualdade de condições seria, no momento histórico de retração do papel social do estado, uma demanda estratégica sem possibilidade de eco. De qualquer forma, esse recurso social seria o lugar da possibilidade de mudança e de atuação para além do espaço escolar.
É possível pensar que a cultura jovem como recurso seja de alguma forma capaz de conduzir um diálogo com a alta cultura. Parece-me que seja capaz também de inserir o educando em um diálogo com o mundo da escola e, através dela, com os problemas que o mundo pós-moderno nos apresenta. Da mesma forma não me parece impossível que esta mesma cultura, muitas vezes estranha aos nossos olhos, possa ser um recurso social e político fomentado e disponibilizado pela escola em beneficio de uma agencia juvenil. A cultura jovem como recurso não é um recurso da escola ou para a escola e o professor, mas um recurso para a coletividade de educandos e que vá além do espaço escolar. É um outro meio pelo qual a escola também cumpre o seu papel.
Da mesma forma é possível pensar esse recurso como um recurso econômico se extrapolarmos a relação entre o mundo da escola e o mundo do trabalho. Em todos os sentidos a escola pode ser encarada como o lugar por excelência da disciplina e do amestramento para o “mundo-fábrica” moderno. Quem melhor que a escola e o educador para treinar o essencial no modelo de ferramenta humana que a modernidade tardia exige. Não é tão fácil livrar-se da noção de que enquanto poucas escolas produzem gerentes muitas escolas produzem o resto.
Esta seria então uma oportunidade para a escola incentivar o desenvolvimento de uma economia cultural local em que o jovem percebesse a oportunidade de transformar suas manifestações artísticas em algum tipo de renda. E quanto a isso exemplos não são escassos. Nesse sentido o papel da escola estaria em contribuir com noções de gerenciamento cultural pelo próprio jovem e para sua comunidade. Parece-me que muitas poderiam ser as possibilidades do que se entende por converter cultura popular em renda. Ainda que essa idéia possa parecer um “mundo- da- fantasia” e sua aplicabilidade exija a participação de outras instâncias de poder político na sociedade civil, ainda assim exemplos dessa natureza nos colocam a alternativa de uma economia comunitária cultural.
Neste ponto, dado o que já foi exposto, me parece apropriado dar entendimento ao que considero a cultura jovem como recurso cultural, ao mesmo tempo em que concluo com minhas considerações finais.
A cultura jovem como recurso cultural nos projetos escolares parte do principio relativamente generalizado de que não apenas a alta cultura tem direito ao status cultural. Essa idéia tem ganhado força à medida que a cultura popular ou a cultura midiática_ que se entrecruzam (a ponto de poderem se tornar a mesma coisa?)_ tornam-se responsáveis por uma parcela significativa da concentração de riqueza pelo capitalismo cultural.
Não se trata aqui de valorizar uma cultura em detrimento da outra, mas de negociar com ambas e não escamotear a qualidade de recurso econômico da assim chamada alta cultura. Simplificadamente pode-se concluir que conhecimento é poder e poder gera riqueza na economia da informação. A alta cultura se apresenta como informação na economia capitalista do conhecimento. A cultura popular, por sua vez, pode ser definida como o lado mais fraco da relação que Yúdice definiu como divisão internacional do trabalho cultural. E ainda gera riqueza para as minorias e os conglomerados da indústria do entretenimento.
A cultura jovem como recurso cultural nos projetos escolares teria essa dupla finalidade: o reconhecimento de sua importância enquanto cultura para uma parcela significativa da sociedade ao mesmo tempo em que a constatação de que toda cultura torna-se recurso econômico para alguém pode relativizar seu caráter “civilizatório” na medida em que diminui a diferença de contribuição, nesse processo, entre a alta e a baixa cultura.
Quero concluir reafirmando que me parece aceitável a viabilidade de um projeto escolar que utilize as culturas jovens como recurso. Esse recurso poderia significar percorrer um caminho que partisse do mundo cultural do aluno para o mundo social do adulto. Da mesma forma é o reconhecimento de que a escola moderna precisa, também, fazer o caminho inverso: se por toda a idade moderna o aluno foi à escola, que agora, na pós-modernidade, à escola vá ao aluno.
Essa postura pode significar refletir tanto sobre qual é o papel performativo da escola, quanto sobre qual é o papel ideológico do educador.
Ainda que não seja isso, que se possa então, com a cultura jovem como recurso nos projetos escolares, colocar o educador no lugar da reflexão e do reconhecimento de sua condição, pois:
“(...) professoras estão preparadas para educar a infância inventada no século XIX – ingênua, dependente dos adultos, imatura e necessitada de proteção – enquanto suas salas de aula estão repletas de crianças do século XXI – cada vez mais independentes, desconcertantes, erotizadas, acostumadas com a instabilidade, à incerteza e a insegurança” (Vorraber, pág.96).
Penso que não precisaríamos de muito para perceber que o mundo mudou e tem mudado e, na maioria das vezes, de alguma forma difícil de descrever. De qualquer forma, aceitando ou não estas mudanças, o fato é que precisamos encontrar, enquanto educadores e educadoras, novas formas de dialogar com a juventude do século XXI.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COSTA. M. V. 2006. Quem são? Que querem? Que fazer com eles? Eis que chegam às nossas escolas as crianças e jovens do século XXI. São Paulo: J M Editora Ltda.
LEMERT, Charles. 1997. Pós-modernismo não é o que você pensa. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
YÚDICE, George. A conveniência da cultura: usos da cultura na era global / George Yúdice; tradução de Marie-Anne Kremer. – Belo Horizonte: Editora UFMG; 2004.
FÓRUM PERMANENTE DA EDUCAÇÃO DE GRAVATAÍ
Chega a ser clichê dizer que precisamos defender e garantir uma Educação que seja efetivamente pública, de qualidade e democrática. Pelo menos é o que parece por ocasião das quase duas décadas de discussão entre aqueles que professam repetidamente esta concepção e aqueles que visceralmente a repudiam.
Ocorre que não é possível avançar, na construção de uma sociedade menos desigual, ignorando o papel que o Sistema Educacional Público tem a desempenhar na pós-modernidade: socializando o conhecimento, contribuindo com o acesso à cidadania, favorecendo e não obstaculizando a autonomia, a iniciativa e as utopias das gerações que hoje transitam pela escola pública.
Não é de forma alguma possível melhorar quaisquer indicadores sociais, econômicos, políticos e culturais sem pensar e construir, séria e responsavelmente, também uma educação pública que atenda às necessidades dos novos tempos.
Pois que a escola pública que conhecemos tem perdido a vanguarda na difusão do conhecimento é por demais óbvio. Que anda desacreditada e desvalorizada chega a ser elementar.
E é ainda, com esta forma de organizar o processo de ensino-aprendizagem a olhos vistos “fracassante” que nos debatemos, trabalhadores em educação, educandos, demais segmentos da comunidade escolar, muitas vezes desorientados sem saber ao certo o que fazer para emergir e respirar uma outra escola, um outro processo educacional.
Pois o Fórum Permanente da Educação de Gravataí ocorre para que possamos conduzir o processo e o debate sobre a escola que temos e a escola que queremos. Faz-se necessário que atuemos como agentes do processo da mudança, inclusive introduzindo a discussão das questões que pareçam importantes e não se fazem contempladas pelo Fórum.
O espaço para a discussão está colocado. A possibilidade de envolver a sociedade é pedagógica. O debate educacional, construtivo. Que a comunidade escolar da rede municipal de ensino de Gravataí possa se apropriar desta proposta de participação e construção coletiva de uma escola melhor. Uma escola que, para além de qualquer clichê, possa perceber-se com os pés no presente o olhar no futuro e a mudança nas mãos.
Paulo César Machado
Professor na E.M.E.F. Paulo Freire.
Pós-graduando em Supervisão Educacional
Ocorre que não é possível avançar, na construção de uma sociedade menos desigual, ignorando o papel que o Sistema Educacional Público tem a desempenhar na pós-modernidade: socializando o conhecimento, contribuindo com o acesso à cidadania, favorecendo e não obstaculizando a autonomia, a iniciativa e as utopias das gerações que hoje transitam pela escola pública.
Não é de forma alguma possível melhorar quaisquer indicadores sociais, econômicos, políticos e culturais sem pensar e construir, séria e responsavelmente, também uma educação pública que atenda às necessidades dos novos tempos.
Pois que a escola pública que conhecemos tem perdido a vanguarda na difusão do conhecimento é por demais óbvio. Que anda desacreditada e desvalorizada chega a ser elementar.
E é ainda, com esta forma de organizar o processo de ensino-aprendizagem a olhos vistos “fracassante” que nos debatemos, trabalhadores em educação, educandos, demais segmentos da comunidade escolar, muitas vezes desorientados sem saber ao certo o que fazer para emergir e respirar uma outra escola, um outro processo educacional.
Pois o Fórum Permanente da Educação de Gravataí ocorre para que possamos conduzir o processo e o debate sobre a escola que temos e a escola que queremos. Faz-se necessário que atuemos como agentes do processo da mudança, inclusive introduzindo a discussão das questões que pareçam importantes e não se fazem contempladas pelo Fórum.
O espaço para a discussão está colocado. A possibilidade de envolver a sociedade é pedagógica. O debate educacional, construtivo. Que a comunidade escolar da rede municipal de ensino de Gravataí possa se apropriar desta proposta de participação e construção coletiva de uma escola melhor. Uma escola que, para além de qualquer clichê, possa perceber-se com os pés no presente o olhar no futuro e a mudança nas mãos.
Paulo César Machado
Professor na E.M.E.F. Paulo Freire.
Pós-graduando em Supervisão Educacional
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