terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Catamarã e seu impacto sobre o Município de Guaíba

Nos últimos dias, algumas pessoas em Guaíba têm vivido a agitada sensação revolucionária de que chegaram os novos tempos. De que se adentrou, finalmente, o século XXI. As manifestações de otimismo se confundem com opiniões que hostilizam a Expresso Rio Guaíba, e quase antecipam um falso debate do tipo “Hidrovia versus Rodovia”.
Seja como for, não parece estar muito claro, ainda, a abrangência do impacto do transporte Hidroviário sobre a vida econômica, política e cultural de todos os setores, segmentos e classes sociais do Município e Região. O que existe são narrativas que procuram projetar uma realidade que se ampara em uma expectativa meramente discursiva.
É claro, que como nos grandes avanços da história, uma simples mudança ou inovação (e eu não disse mera mudança!) tem o mérito de estimular a iniciativa e a reflexão para outras mudanças. Mas estas transformações, porém, não são obra da Providência, e geram outras consequências cujos impactos nem sempre se pode prever.
Por definição, o Catamarã chega como alternativa de transporte rápido e seletivo. Provavelmente, tenha chegado ao cálculo de que sua capacidade de transporte e oferta de horários esteja atingindo pouco mais de 1% dos usuários. Qualquer cifra maior que esta não se sustenta. Resta saber que estratégia irá adotar para que o aumento das viagens não emperre em sua engenharia de tráfego.
Por outro lado, tem-se que repensar o tradicional transporte rodoviário oferecido pela Expresso Rio Guaíba. É óbvio que não está morto, para o alívio daqueles que têm poucas bandeiras de luta no Munícipio, e para os quais restaria menos que um discurso político vazio.
De qualquer forma, não será mais possível à Expresso Guaíba deixar de se inserir na vida da comunidade Local. E precisa fazer isso a partir da renovação conceitual da oferta de seu serviço: um Transporte Público de qualidade, Humano, com responsabilidade social. Obviamente seu problema não está no semidireto, mas no conforto que não oferece nas linhas comuns.
De resto, o Poder Público, as Empresas de transporte público, a iniciativa privada, os meios de comunicação local, os movimentos culturais e sociais precisam sentar à mesa em uma grande parceria, ecumênica e solidária. É necessário discutir estratégias para o progresso da cidade e seus cidadãos: os benefícios que podem ser auferidos para todos com a chegada desta simples mudança. Mudança capaz de produzir grandes transformações. Mudança para uma Cidade melhor!
Paulo César Pereira Machado
Professor de História e Supervisor Educacional.