O que deve se passar pela cabeça de um candidato à Presidência da República, que acredita que a eleição já está no papo, e se depara com um movimento organizado por mulheres em oposição à sua candidatura? Difícil dizer! Talvez o referido candidato viva uma situação de transe cuja realidade dos acontecimentos seja reduzida ao tamanho das próprias opiniões machistas: manifestações isoladas que não irão alterar o resultado eleitoral que, aliás, "não aceito resultado diferente da minha vitória".
O fato é que hoje, 29 de setembro de 2018, O País assistiu uma série de manifestações por todo o território nacional. Manifestações organizadas por milhares de mulheres lutadoras, guerreiras maravilhosas que decidiram manifestar o repúdio a uma candidatura que representa tudo aquilo que há de mais perverso e imoral na vida civilizada. Contra esse candidato e contra tudo o que ele representa é que gritaram "ele não, ele nunca, ele jamais".
Hoje, merece uma saudação e uma reverência esta coragem que uniu milhões de mulheres e que mobilizou movimentos sociais e minorias. Hoje, o protagonismo é sim, incontestavelmente de gênero. Hoje, o protagonismo é sim feminino. Hoje, uma força feminina se levanta e cobra uma dívida histórica, uma dívida política e uma dívida moral que o machismo neste país vem impondo às valorosas mulheres desta nação.
Nenhuma pessoa minimamente civilizada e lúcida, e comprometida com o respeito à dignidade humana e com os direitos humanos, pode aceitar, ou defender o que esse candidato da barbárie e seus eleitores autoritários, antidemocráticos e fascistas querem impor à parcela pobre, negra, LGBT e feminina do Brasil. Não têm noção exata do perigo para a democracia, para os direitos sociais, políticos e trabalhistas, a eleição desse candidato.
Felizmente, está ficando claro que a salvação da democracia brasileira (que precisa avançar) está nas mãos dos nordestinos e das mulheres. Mulheres guerreiras, mulheres lutadoras, mulheres lúcidas, mulheres de fibra.
Esperamos que essa força feminina possa definir as eleições e dobrar o bolsonarismo que quer desabrochar como variante fascista tropical. Vencidas às eleições, as forças democráticas precisam pensar estratégias que dissolvam esses grupos e essas ideias que buscam em Bolsonaro uma alternativa política. Alternativa cujo argumento político é a violência e a agressividade. Alternativa cuja prática política não aceita o debate, não aceita oposição, não aceita perder.