terça-feira, 31 de maio de 2011

UMA GRAMÁTICA DO FRACASSO

Como se não tivéssemos problemas suficientes para ocupar nossas atarefadas preocupações pedagógicas em sala de aula, nos deparamos agora com o MEC autorizando erros de concordância em livros didáticos. Um estímulo coloquial para uma sociedade do êxito formal e elitista.
Não sei o que parece mais desconcertante: se o compromisso institucional em não se esforçar por uma séria Educação Pública de qualidade ou seu empenho sistemático em garantir que não haja sucesso social para quem não pode “comprar” uma Educação Erudita. É a estratégia da lei de Murphy - “se alguma coisa pode dar errada, mais cedo ou mais tarde vai dar”.
Mas impressionante mesmo é a defesa realizada por instituições de ciência linguística, ou mesmo teóricos especialistas no assunto. Um completo contrassenso e distorção dos ideais iluministas que orientam nossas concepções de construção de um mundo socialmente melhor. E quero acreditar que até alguns Pós-modernistas da linguagem são capazes de concordar que é absurda essa inusitada “revirada linguística”.
Tenho uma teoria! (Posso ser um teórico sem qualquer critério já que a ciência da linguagem começa a abandonar os seus.) Mas vou trocar minha teoria por um palpite anedótico: uma tiragem de milhares de livros didáticos não revisados foi impressa e o objetivo é não perder dinheiro. Essa versão também seria absurda já que qualquer versão ou opinião favorável me parece descabida.
Esperemos que o mundo do trabalho não seja tão preconceituoso quanto este artigo já que faço a defesa da língua padrão como um dos fatores de ascensão social. E de ampliação linguística da capacidade de definir e entender a realidade mais complexa e intangível, também.
De resto, pode até ficar mais fácil educar! Não seremos acusados de praticar bullying gramatical quando dissermos aos pais que seus filhos terão “menas” dificuldade em aprender se estudarem mais.

Paulo César Machado
Professor de historia e
Pós-Graduando em Supervisão Educacional

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

A violência no ambiente escolar é um problema muito mais sério do que nossa desavisada compreensão pode supor, ou mesmo aferir. Ela ultrapassa os eventos noticiados nos meios de comunicação, ou mesmo as opiniões com as quais nos deparamos - ou formulamos - sem qualquer paradigma minimamente coerente.
Sem a intenção de formular uma pomposa frase de efeito me atreveria a dizer que “a violência nas escolas é um fenômeno sem precedentes”. Como de resto a agressividade no século XX inaugurou esse aterrorizante fenômeno marcado pela globalização dos padrões de individualismo e indiferença e pela uniformização das reações humanas insensatas. E tudo por ocasião de uma cultura ocidentalizada do hedonismo.
Claro que os adeptos da concepção de agressividade inata à natureza humana dirão que a violência é tão antiga quanto a nossa espécie. Mas se é possível constatar uma história da violência, da mesma forma não é possível – como de resto o é em nossa época – escrever e vivenciar a história humana a partir da universalização da aceitação de uma agressividade vingativa, espontânea, naturalizada, cruel, criativa, satírica, estetizada, ecumênica.
Assim nos deparamos com uma problemática cujos efeitos não apenas forçam os muros das escolas, mas marcam definitivamente as relações humanas também no universo escolar. E o que de fato parece mais aterrorizante: se inscreve no comportamento alheio ao ideário, às instituições e à legislação de garantia do direito à inalienável integridade humana. E justamente nas gerações herdeiras de nossa concepção de um adorável mundo novo.
Não me atreveria a dizer, no momento, que a solução seja melhor do que o debate primário sobre o que fazer. Na qualidade de educador me sinto muito mais frustrado com as soluções imediatistas e esporádicas do que com as discussões insensatas ou emotivas que travamos no cotidiano.
De qualquer forma, quero acreditar em uma universalização do consenso de que precisamos fazer algo, ainda que seja abrir as discussões sobre essa temível realidade. É óbvio que a pressa exige mais em alternativa e eficácia. Mas, no olho do furacão, não é possível dizer se as soluções são menos complexas ou um tanto simples. Só é possível dizer que o conhecimento e a humanidade se perdem em um cenário de instabilidade, democratização da violência e insegurança. Como se diz, “melhor mesmo é não pagar pra ver”!

Paulo César Machado Professor de História e
Pós-Graduando em Supervisão Educacional.