A EDUCAÇÃO PÚBLICA DA EXCLUSÃO
(...) nada na história humana é inevitável. Não existe destino. A todo o momento as pessoas poderiam ter escolhido outro caminho.
Mario Schmidt, historiador.
Tem se tornado cada vez mais acentuada as discussões sobre o papel da escola pública e os problemas que hoje envolvem seu universo pedagógico. Em linhas gerais, pode-se mesmo dizer que os juízos emitidos pela opinião pública ou pela mídia são semelhantes àqueles discutidos por educadores e educadoras que se dedicam a esta temática.
A bem da verdade vivemos uma época em que cada vez mais se emite opiniões sobre os mais diversos temas, nos mais variados espaços de discussão, exercendo-se uma liberdade discursiva e gramatical sem precedentes (e sem nenhum pudor!).
Para aqueles que defendem o monopólio da expertise é bom lembrar que avançamos mais em 21 anos de direitos constitucionais do que em 120 de história republicana. O que se quer dizer é que quanto mais as discussões envolvendo os problemas que emperram uma Educação Pública de qualidade forem de domínio público menos provavelmente surgirão soluções unilaterais descoladas da realidade.
Entretanto, é opinião geral entre trabalhadores da educação que aqueles que mais deveriam ser ouvidos, inquiridos, envolvidos, estimulados a partilhar um processo de mudança e busca de soluções são os menos requisitados ou atraídos ao debate que, ocasionalmente, corre por fora do circuito em que transitam os segmentos da comunidade escolar: pais, alunos, funcionários e professores.
Que a felicidade social não é utopia irrealizável e passa também pela socialização do conhecimento já deveria estar ficando óbvio. Que a escola pública deve cumprir uma função social que não é a de adestrar, mas a de proporcionar construção do saber, da ética solidária, do compromisso moral com o próximo, da responsabilidade social é o paradigma a ser considerado.
Hoje, do que menos precisa a escola pública e a educação pública é das soluções apresentadas por áreas do conhecimento orientadas para o gerenciamento, o planejamento mercadológico, o estabelecimento de metas de desempenho e de resultados, o disciplinamento interpessoal.
Precisamos, mais que nunca, escolher o caminho que inclua também as gerações da escola pública de hoje nos centros de decisão que serão constituídos, amanha, pela geração da escola privada.
O processo educacional público que conhecemos anda dando ares de falido. Se for um resgate ou uma renovação deve-se fazer a discussão: uma mobilização pública e um debate público com envolvimento sério, responsável, que analise os muitos fatores que constituem a realidade do processo pedagógico. E simultaneamente vá construindo diretrizes.
Enquanto tal não ocorre, apenas acompanhamos algumas tentativas isoladas, recalcitrantes, de buscar envolver a comunidade escolar no processo de tomada de decisão. E aqui me refiro ao Fórum Permanente da Educação de Gravataí (RS), um exemplo em se buscar partilhar soluções, propiciar discussões, aceitar sugestões e construir caminhos que percorram o trajeto inverso ao da pedagogia da exclusão.
Paulo César Machado
Professor de história
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