quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Precisamos salvar nossos jovens!

São completamente estarrecedores – muito mais do que preocupantes – os dados apresentados em pesquisa divulgada em 21 de julho de 2009, que projetam para o período entre 2006 e 2012, a morte de pelo menos 33 (trinta e três) mil jovens entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos.

Para toda e qualquer pessoa que seja pai ou mãe de adolescente, ou exerça profissão diretamente vinculada a essa faixa etária, é difícil não deparar com esse único dado martelando e projetando equações matemáticas, inferências sociológicas, econômicas, históricas e emocionais.

Sabemos que a matemática dos homicídios não é geograficamente equânime; mas, ainda assim, se dividirmos os 33 (trinta e três) mil mortos potenciais pelas 27 (vinte e sete) unidades político-administrativas teremos mais de 1.200 (mil e duzentos) jovens mortos por Estado, incluído o Distrito Federal.

O estarrecedor está em que é muito provável que essa vida – no momento nada mais que uma estatística ou abstração para a maioria de nós – que se perderá ou esteja perdida ou se perdendo neste exato momento (por si só um fato trágico!) seja ou venha a ser de algum adolescente nosso familiar, ou próximo, ou mesmo que se conheça ainda que só de vista ou por menção.

Não bastasse esse aspecto perturbador acima referido, é difícil não pensar também em todo esse potencial humano desperdiçado em prejuízo da vida em sociedade. Quanta capacidade produtiva, inventiva, de renovação, de atitude estará se perdendo! Quantas vidas suspensas definitivamente nos mais diferentes processos históricos, econômicos, sociológicos, interpessoais!

Eu sei! Sim, eu sei! Este não é momento para conjecturas ou ilações; antes, para imediatismos. Temos definitivamente que fazer algo a respeito e fazer agora, a partir de já. Temos de compartilhar esta responsabilidade social de zelar pelos nossos filhos, irmãos, amigos, netos, vizinhos adolescentes.

A agenda está colocada e não admite subtração: o poder público deve fazer sua parte. A imprensa deve fazer sua parte. Todas as esferas formadoras de opinião devem fazer sua parte. A família deve fazer sua parte. E os jovens! Os jovens devem também tomar parte nesta tarefa ecumênica de preservar a vida e garantir-lhes uma existência digna, solidária, responsável e comprometida com um sentido terminantemente avesso à violência. Terminantemente avesso a toda e qualquer violência.

Paulo César Machado
* PROFESSOR DE HISTÓRIA E PAI

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