terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

VAMOS FALAR SOBRE EDUCAÇÃO PÚBLICA?



“Do ponto de vista metodológico, didático e pedagógico quando a prática de tentar impor um determinado ponto de vista é reincidente, é porque alguma coisa não está certa ou de fato está muito errada”.
                                                                                                                                    
Desde o surgimento do Homo Sapiens, nos caracterizamos pela capacidade de compartilhar conhecimento. Se essa não é a principal característica ao nível do indivíduo, é característica fundamental à coesão e sobrevivência da espécie.
 Ao longo do tempo, sistematizamos e aperfeiçoamos esse compartilhamento e, como consequência, organizamos a Educação Formal. Uma Educação que, grosso modo, não pode ser entendida descolada dos cenários que marcam nossa trajetória.
Nesse percurso acelerado de histórias não contadas, nos deparamos com a Educação Pública sendo objeto de disputa entre narrativas. O efeito prático foi a auto atribuição de “Veritas” por toda e qualquer opinião, não obstante a evidente intensão de reduzir as realidades ao tamanho das próprias concepções. Disso resulta que trocamos o debate sobre caminhos e desafios da Escola Pública por cabos de guerra e discursos panfletários e unilaterais.
É bem provável que nessa história (do compartilhamento rústico ao estágio da Educação Formal) quem mais tenha perdido tenha sido a escola pública. A Educação Formal pode até ter se anabolizado, mas a Educação Pública minguou. Grupos de indivíduos se beneficiaram enquanto a Sociedade perdia.
Em termos práticos, a mudança se encontra em trilhar caminho diferente desse que nos trouxe aonde estamos. Devemos compartilhar responsabilidades ao invés de depositá-las no colo dos professores em sala de aula. Dito isso, parece óbvio que o ponto de partida não está em metodologias mágicas, em pedagogias repetitivas, em discursos governamentais vazios, em práticas pedagógicas desengajadas da luta civilizatória. O ponto de partida está naquilo que, para Yuval Harari, permitiu ao sapiens ultrapassar as outras espécies do gênero Homo: nossa irresistível capacidade de cooperar.
                                                                         Professor de História e Supervisor Educacional na Rede Municipal de Gravataí.

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