Nos últimos dias, algumas pessoas em Guaíba têm vivido a agitada sensação revolucionária de que chegaram os novos tempos. De que se adentrou, finalmente, o século XXI. As manifestações de otimismo se confundem com opiniões que hostilizam a Expresso Rio Guaíba, e quase antecipam um falso debate do tipo “Hidrovia versus Rodovia”.
Seja como for, não parece estar muito claro, ainda, a abrangência do impacto do transporte Hidroviário sobre a vida econômica, política e cultural de todos os setores, segmentos e classes sociais do Município e Região. O que existe são narrativas que procuram projetar uma realidade que se ampara em uma expectativa meramente discursiva.
É claro, que como nos grandes avanços da história, uma simples mudança ou inovação (e eu não disse mera mudança!) tem o mérito de estimular a iniciativa e a reflexão para outras mudanças. Mas estas transformações, porém, não são obra da Providência, e geram outras consequências cujos impactos nem sempre se pode prever.
Por definição, o Catamarã chega como alternativa de transporte rápido e seletivo. Provavelmente, tenha chegado ao cálculo de que sua capacidade de transporte e oferta de horários esteja atingindo pouco mais de 1% dos usuários. Qualquer cifra maior que esta não se sustenta. Resta saber que estratégia irá adotar para que o aumento das viagens não emperre em sua engenharia de tráfego.
Por outro lado, tem-se que repensar o tradicional transporte rodoviário oferecido pela Expresso Rio Guaíba. É óbvio que não está morto, para o alívio daqueles que têm poucas bandeiras de luta no Munícipio, e para os quais restaria menos que um discurso político vazio.
De qualquer forma, não será mais possível à Expresso Guaíba deixar de se inserir na vida da comunidade Local. E precisa fazer isso a partir da renovação conceitual da oferta de seu serviço: um Transporte Público de qualidade, Humano, com responsabilidade social. Obviamente seu problema não está no semidireto, mas no conforto que não oferece nas linhas comuns.
De resto, o Poder Público, as Empresas de transporte público, a iniciativa privada, os meios de comunicação local, os movimentos culturais e sociais precisam sentar à mesa em uma grande parceria, ecumênica e solidária. É necessário discutir estratégias para o progresso da cidade e seus cidadãos: os benefícios que podem ser auferidos para todos com a chegada desta simples mudança. Mudança capaz de produzir grandes transformações. Mudança para uma Cidade melhor!
Paulo César Pereira Machado
Professor de História e Supervisor Educacional.
Panorama Pós-moderno tem por objetivo apresentar artigos que tenham sido publicados por este autor em jornais ou que simplesmente sejam a expressão do desconforto causado por opiniões com estatuto de produção científica no campo da teoria social, da educação, da sociologia, da história, da economia.Visa também publicizar produção acadêmica resultante de pesquisa orientada em cursos já realizados ou em andamento.
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