Escrevo este artigo como um cidadão comum, sem poder de decisão e sem responsabilidades pela máquina pública. Um cidadão qualquer, que tal qual a maioria, formula suas opiniões mais pela observação do que pela reflexão e pesquisa.
Geralmente nós, cidadãos comuns, somos incitados pela prepotência moderna a opinar sobre temas os mais variados, e sem a menor familiaridade. E assim fazemos sobre tudo e sobre todos.
É como cidadão comum que passei a observar o fluxo de passageiros pelo Catamarã. Ora como viajante em diferentes horários, ora como um simples guaibense curioso. Desta observação formulei algumas opiniões que passaram a se tornar convicção. Convicção esta que se fortalece, à medida que se fundamenta em comparações.
Não é preciso ser muito viajado para perceber que entre as cidades com potencial turístico periférico Guaíba está entre as que menos proveito tira dessas oportunidades. Ora por inércia administrativa, ora por completa falta de criatividade.
Mas as oportunidades parecem insistir em bater à porta de nossa Cidade. Vemos isso agora com o Catamarã, que tem trazido ao Município uma leva de visitantes entusiasmados com o transporte hidroviário. Entusiasmo este que se dissipa, já entre os primeiros passos fora do Terminal.
Curiosamente, entre os visitantes, pode-se constatar um número considerável de pessoas na Terceira Idade. Chegam ao Município esperando encontrar uma cidade acolhedora e Sinalizada, mais ou menos como o que veem em Nova Petrópolis, Canela, Dois Irmãos ou Santo Amaro. E por ocasião da excelente receptividade da Tripulação do Carlos Nobre, percebe-se a grandeza da decepção.
Minha opinião de cidadão comum é pela criatividade. Esperava descer do Catamarã e encontrar um Grande painel de boas vindas informando pontos turísticos e de alimentação. Esperava encontrar uma sinalização horizontal de paisagem turística, que marcasse pelas calçadas, a partir do terminal, rotas coloridas que levassem ao Caisinho e outros pontos de alimentação, à Beira, à praça da maçã, à escadaria, ao Museu Carlos Nobre, ao Cipreste, à Rua São José, etc. Esperava encontrar um ponto de taxi e até mesmo um bondinho confortável integrado a certos horários do terminal.
Pode parecer o contrário, mas quem chega não vê tanto problema com o Camelódromo, com o Mercado Público em reforma, ou com os reparos pontuais e persistentes nas vias. Quem chega quer ver a história da cidade, quer saber onde comer, onde visitar, onde comprar. Mais ainda, quem chega precisa ter vontade de voltar!
De qualquer forma, como eu dizia, escrevo como um cidadão comum, incitado pela prepotência moderna. Poucas são as vezes que se torce para que se esteja dizendo bobagem. Espero que esta seja uma delas. E ainda mais: que o Poder Público em Guaíba tenha olhos de águia,audição de lobo e memória de elefante.
Paulo César Pereira Machado
Professor de História e Supervisor Educacional
Panorama Pós-moderno tem por objetivo apresentar artigos que tenham sido publicados por este autor em jornais ou que simplesmente sejam a expressão do desconforto causado por opiniões com estatuto de produção científica no campo da teoria social, da educação, da sociologia, da história, da economia.Visa também publicizar produção acadêmica resultante de pesquisa orientada em cursos já realizados ou em andamento.
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