sábado, 21 de agosto de 2010

Guaíba: A municipalização do crescimento econômico e do desenvolvimento social

Em tempos pós-modernos, de aparente ausência de alternativas para o crescimento econômico e o desenvolvimento social, urge analisar e destacar o papel do município no encaminhamento destas questões.
Mesmo reconhecendo as complexidades da realidade econômica que afetam os municípios, em um contexto macroeconômico globalizado, me coloco entre aqueles que defendem as políticas culturais como fator de fomento e de crescimento da economia local.
Grosso modo, pode-se destacar que uma gestão municipal que utilize um abrangente programa de políticas culturais, como fator de desenvolvimento da economia local, insere sua comunidade em uma estratégia de ampliação do ciclo de produção e consumo.
Não é preciso entrar no debate de que para haver consumo é preciso haver salário que equivale a emprego. Nem tampouco, que mais salários ou empregos equivalem a mais consumo, que resultam em aumento da produção de serviços ou de artigos comercializáveis. Da mesma forma, não é preciso se debruçar sobre possíveis falhas da vida real desse raciocínio econômico. Pois as falhas ou os êxitos dependem da intencionalidade do argumento e do comprometimento social.
No que concerne à nossa cidade uma estratégia municipal eficaz estaria em uma ampla política de parcerias com todos os setores da economia local. Uma política de parcerias que inteligente e criativamente soubesse comprometer toda a iniciativa privada do município: livrarias, restaurantes, lojas, empresas, universidades, serviços e unidades domésticas envolvidas com as políticas culturais promovidas pelo município e engajadas no crescimento econômico e no desenvolvimento social.
É possível, por exemplo, inserir o município no circuito de turismo regional e nacional. Basta que haja investimento sério e de monta por parte do poder público, seja no que se refere à melhoria da infra-estrutura local, seja na imagem de cidade histórica e de turismo de eventos, bem como ao incentivo fiscal à iniciativa privada. No que se refere à captação de recursos tanto os canais convencionais quanto às políticas de atração de investimentos devem figurar nas iniciativas da gestão pública.
Da mesma forma é possível buscar o desenvolvimento econômico dos bairros mais pobres com o incentivo da economia comunitária e do emprego comunitário. Isso para não mencionar o incentivo e a inclusão das manifestações artísticas locais nessa estratégia de desenvolvimento a partir de políticas municipais que convertam cultura popular em renda.
Mesmo sem aprofundar este tema é possível perceber, inclusive e a um só tempo, a diminuição da criminalidade e da violência urbana. Políticas culturais como recurso podem promover esse desenvolvimento integrado de todo o município: valorizando a cultura local, promovendo redes de produção e consumo popular, garantindo espaços públicos às atividades artísticas e esportivas das diferentes tribos e identidades.
As estratégias e as soluções para o avanço econômico e o desenvolvimento social passam, principalmente, pelo êxito da iniciativa privada de pequeno e médio porte, por políticas de parceria promovidas pelo poder público e por políticas públicas capazes de proporcionar a geração de renda a quem não tem renda. A economia globalizada e excludente exige a presença do poder público municipal nessas estratégias. Cabe ao executivo municipal, então, envolver todos os setores da economia e da sociedade guaibense, cabe repetir, a partir também de políticas culturais comprometidas com o crescimento e o desenvolvimento integrado e combinados entre a iniciativa privada e a sociedade civil.
Paulo César Machado
Professor de História

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