terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA PARA O SUCESSO




Todo o início de ano letivo, nós, professores e professoras, nos apanhamos em devaneios e reflexões quanto à situação da educação pública no País. Essa é uma problemática que nos aflige, e ocupa parte considerável dos nossos esforços em tentar identificar, cercar e combater o problema.
Não nos entregamos com facilidade às explicações simplistas e reducionistas. Por menos dedicado que seja um professor, ele está obrigado, por força da profissão, a dedicar um tempo considerável a uma agenda comum de estudos e pesquisas. Isso sem considerar o tempo que precisa dedicar à pesquisa do componente curricular com o qual trabalha.
Se olharmos em retrospectiva para o ano letivo de 2018, veremos que todos os professores do País tiveram que realizar o mínimo de trinta horas de formação, e precisaram estudar a Base Nacional Comum Curricular e a legislação que ampara essa BNCC. E isso não é história da carochinha, isso é um dado, dado.
Ocorre que muito provavelmente, atingimos o estágio em que precisamos parar de olhar a Educação em outros países. Precisamos de uma roupa feita para o próprio corpo, sem remendos ou costuras alinhavadas. E isso não deve ser encarado como uma aberração, pois é inquestionável que todo o conhecimento disponível, necessário à compreensão dos processos de desenvolvimento e aprendizagem, necessário ao domínio das metodologias e instrumentos de diagnóstico, necessário às práticas de intervenção e condução da ensinagem se universalizaram, e são basicamente os mesmos em toda parte.
Mas se o que foi exposto acima é um dado inquestionável, por que nossa educação pública apresenta indicadores tão defasados? Eu diria que são muitas as variáveis, e ao invés de propor um debate, proponho sete ações governamentais para uma educação pública de sucesso: 1- Cumprir o que determina o Plano Nacional de Educação; 2- Estabelecer um Sistema Nacional de Formação Continuada, organizado e dirigido pelas Universidades do País, respeitando a autonomia e as especificidades regionais; 3- Proporcionar e garantir a todas as escolas públicas do País uma qualificada infraestrutura física, tecnológica, didática, pedagógica, alimentar e humana; 4- Estabelecer uma Política Nacional de Valorização das Titulações Docentes; 5- Estabelecer um Programa de Intercâmbio internacional de estudantes e professores de escola pública; 6- Garantir financiamento aos Estados e Municípios para o cumprimento das ações governamentais; e, por último, e não menos importante: 7- Tornar a Educação Pública a Bandeira Nacional para o Desenvolvimento Econômico, Social, Político e Humano do Brasil.
Concluindo, cabe destacar que não é mais possível aceitar o discurso que transfere a responsabilidade - dos baixos indicadores e resultados - para docentes e demais profissionais que vivem a rotina escolar. A não ser que a estratégia seja a de não dar soluções ao problema; A não ser que a tática seja contemporizar e confundir. Pois que a Educação é um discurso vago no Brasil, é inquestionável que há muito deixou de ser novidade.
PAULO CÉSAR MACHADO, professor de história, Supervisor Escolar na Rede Municipal de Gravataí e acadêmico de Psicopedagogia.

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